quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Nossa própria ignorância

Quem eram aqueles homens que lutavam? Eu nunca os vi de verdade? O nosso tempo é tão ensimesmado que as pessoas esquecem de toda a coragem que uma vez correu nas nossas veias. Quem eram esses homens? E eu fico pensando em tudo que eles passaram, tudo que eles sofreram, tudo que eles tiveram de esconder, para não terem suas vidas ceifadas pelos sádicos da época.
A liberdade foi alcançada, mas como é que o presente a expressa? Xingando o cara do lado, generalizando grupos, paranoia, falta de respeito, ignorancia a propria historia? Deviamos todos olhar para traz e ver as pessoas que lutaram, e por causa disso, deixaram de acreditar em tudo, tendo todos os preceitos que antes governavam seu cárater caindo por terra. E fazendo isso, olhariamos para o futuro e caminhariamos rumo a ele. Mas somos muito egoistas para nos preocuparmos com isso. 

“Quando secar o rio da minha infância
secará toda dor.
Quando os regatos límpidos de meu ser secarem
minha alma perderá sua força.
Buscarei, então, pastagens distantes
lá onde o ódio não tem teto para repousar.
Ali erguerei uma tenda junto aos bosques.
Todas as tardes, me deitarei na relva
e nos dias silenciosos farei minha oração.
Meu eterno canto de amor:
expressão pura de minha mais profunda angústia.

Nos dias primaveris, colherei flores
para meu jardim da saudade.
Assim, exterminarei a lembrança de um passado sombrio”.

 Tito de Alencar Lima (Frei Tito).

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